sábado, 23 de março de 2013

Albertina: No tocante da terra

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Rasgada a barra do dia, já fora da ponta da rua, olhou o sol. Era por ali. Nascia à frente do rancho, lá na cascalheira. O rumo, aquele. Quantas marchas? Não sabia calcular. De carro viajara quase uma banda de dia. Dormira o tempo quase todo. Sabia da lonjura. Ali fazia muito frio, de tremer as carnes, bater os dentes, engrugir o couro. Sua ,
terra era morna como um rescaldo de goivara. Pra começar, começou. Cheia de carnes e desejos entrou no mato. Não queria o perigo dos caminhos forrados com o samborá de abelha, por onde corriam os bichos-caminhões. Preferiria os cerrados, gerais, caatingas, matos verdadeiros, conhecido.



NETO, Euclides. A Enxada e a mulher que venceu o próprio destino.

Paternalismo em A Enxada



Vanessa Caroline Silva Santos


 "(...) Tem mais, como a senhora é trabalhadora, pode abrir uma roça aqui, neste terreno fresco, melhor que o pedregulho da estrada. Do tamanho que suas forças derem.
NETO, Euclides. A Enxada e a mulher que venceu o próprio destino. pág, 14.



       Segundo Frei Betto (2006) “ter escapado da pobreza não é prêmio, é ter responsabilidade para com aqueles que não tiveram a mesma sorte”, nesse sentido, entendemos agora a função do autor no seu logos e no seu chronos como sujeito agente da mudança. Dessa maneira, seja no trabalho de base com os moradores da Fazenda Modelo ou com a personagem Albertina em A Enxada, mais uma vez ratifica-se o conceito de Candido sobre o papel do escritor para a sociedade.

        Entretanto podemos entender dois lados da moeda nesse romance. Por um lado temos Albertina com sua enxada – signo da sua luta no tocante à reforma agrária e que veicula também a sua quebra com o padrão “sapatinho de cristal” – e a terra dada pelo Seu Manduca para que ela lavorasse e vivesse do que fosse produzindo, o que nos leva a refletir sobre certa posição paternalista de Seu Manduca.

        Contextualizando, essa posição de poder se dá quando é dada a Albertina o direito de posse sobre um canto de terra sem cultivo onde a personagem monta acampamento. Isto seria também entendido como a ideia cerne da Reforma Agrária, mas com repercussões diferentes onde a “invasora” não é enxotada. Ou seja, implicitamente, podemos entender essa relação entre doador e beneficiado como uma relação de paternalismo onde não há nada de revolucionário no ato de Seu Manduca.

        Já foi dito aqui que Euclides Neto criou um projeto pioneiro, Fazenda Modelo, a fim de dar lugar para que o povo carente de um teto e um chão para lavrar pudesse sair dos contingentes de miséria da cidade de Ipiaú. Entende-se assim que o autor fez refletir em seu texto de A Enxada, com a personagem Albertina e Seu Manduca, as relações sociais que teve enquanto sua experiência com o projeto supracitado. Logo, partindo de um ponto de vista indutivo, podem-se elencar esses fatores que confirmam o paternalismo presente nas relações dos sujeitos ora citados no romance.






domingo, 3 de março de 2013

Apresentações de trabalhos




XVI Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica:



 "A mulher da enxada: a arte e o social", no dia 31 de agosto de 2012 na UESB/Jequié.




XVI Encontro Baiano dos Estudantes de Letras (comunicação oral): 


"A mulher da enxada: a Arte e o Social"

Dara: 7 de novembro de 2012 em Jacobina- BA.


 XV Encontro Regional do Estudantes de Letras (comunicação oral)

"A mulher da enxada: a Arte e o Social".


Eixo temático: Literatura Regional.


Data: 29 de março de 2013 em São Luís do Maranhão (UFMA)













I Colóquio Regional de Literatura, Gênero e Relações Étnicas (Comunicação Oral)

"A Mulher da Enxada: a Arte e o Social", no dia 11 de julho de 2013


Eixo temático: Representações Escritas e Visuais de Gênero e Etnia. (GRUPO I)
(coordenação: Profa. Dra. Adriana Abreu, Carmem Almeida).






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